Ensaios Femininos – Ensaio Ares

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Sempre me vejo aprendendo um pouco mais sobre o universo feminino a cada ensaio que faço. Não me canso de repetir que toda mulher é linda, única e especial. E, para se sentir assim, algumas buscam roupas que valorizem partes do corpo que gostam mais; fazem uma make que consideram arrasadora; escolhem um sapato que as deixe se sentindo mais poderosa, sedutora (ainda que o preço disso sejam bolhas e pés latejando ao final do dia); alisam os cabelos ou fazem cachos, fazem procedimentos estéticos, desde receitas caseiras a cirurgias plásticas. E antes que digam que essas mulheres são artificias, eu digo que elas se gostam.

Claro que existem pessoas que não precisam de nenhum recurso externo para gostarem de si. E não há nada de errado nisso. Claro que não! Do mesmo modo que não é errado buscar algo que dê mais segurança, faça se sentir mais confiante e bonita. E uma coisa que sempre me chama a atenção é como os acessórios escolhidos para o ensaio contribuem para esse “admirar-se”. A mulher se transforma com o simples ato de trocar um brinco pequeno por argolas ou por um modelo que alongue o pescoço. Do mesmo modo, há colares que a fazem se sentir mais séria, que conferem um ar de mistério ou que desviam intecionalmente os olhares para seu colo. Isso sem falar dos anéis, prendedores de cabelo, piercings e por aí vai.

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Foi pensando nisso que eu e minha equipe lançamos o ensaio feminino: Ares. Inspirados nos quatro elementos, buscamos no “vento” nossa principal referência. E contamos com a parceria do Marina Sepúlveda Ateliê que forneceu todos os brincos, colares, pulseiras e anéis! Além é claro, da linda Giselle Duarte. Nosso intuito foi mostrar como os acessórios, os adereços que a mulher escolhe, a deixam mais radiante, mais dona de si – porque é assim que ela se sente e é assim que quer ser vista.

Por isso a escolha da nossa modelo foi fundamental. Sabe por quê? Porque a Giselle não é uma modelo profissional, não trabalha diante de flashs e câmeras. É dona de uma timidez encantadora. Extremamente educada, de voz macia e baixinha. E muito doce! E a mulher poderosa que vemos nas fotos? Ela não existe de verdade? Existe!!!! E não é fruto de uma montagem, de poses forçadas e de uma produção específica. Ela está ali e se revela a medida que a maquiagem, a roupa e os acessórios reforçam, para ela, sua beleza! Por isso o resultado ficou tão perfeito, tão autêntico!

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Portanto, se você deseja fazer um ensaio fotográfico, lembre-se disso. Opte sempre por aquilo que te faz se sentir bem! Linda você já é!

Gostaria de agradecer:

A modelo Giselle Duarte, Ao Marina Sepúlveda Ateliê, e a equipe do estúdio Elba Rocha, Marina Cunha, Rafael Mayrink e Vanessa Lacerda.

Muito Obrigado, Alex Stoppa!

Ensaios Femininos – Retrato Feminino e a Lógica do Espelho

Ao longo dos anos e do meu trabalho com o público feminino, sempre me surpreendo com o fato de que muitas mulheres simplesmente não conseguem se ver bonitas. Se, infelizmente, isso é algo frequente, incomum seria pensar que alguma delas buscaria ser fotografada em um ensaio feminino.

Mas, como a vida é cheia de surpresas, de repente, me deparei com um perfil muito diferente. No meu estúdio, diante de mim, uma mulher que não se via bela de modo algum e que ainda assim queria fazer um ensaio feminino. E o ensaio não tinha qualquer motivação além de uma questão pessoal. Não era para dar de presente para alguém, para mostrar aos amigos. Nada disso. Era única e exclusivamente para ela.

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Como assim??? É o mesmo que imaginar uma pessoa que não gosta de livros, mas faz questão de comprar vários deles e ler cada um. Uma primeira hipótese que formulei é de que, talvez, ela estivesse sendo modesta, que tivesse receio de parecer pretensiosa, metida etc. Mas, aos poucos, fui vendo que não. Realmente, ela não se enxergava dona de uma beleza, capaz de gerar admiração, de seduzir. Mas estava ali em busca disso, de descobrir se seria possível. Na cabeça dela, na pior da hipóteses, só ela mesma teria acesso as fotos.

Diante dessa situação comecei a questionar onde estaria a diferença do olhar que eu, como pessoa e fotógrafo, formulava sobre ela e aquele que ela formulava sobre si. Afinal, estávamos diante da mesma figura. Claro que ninguém se vê o tempo todo. Algumas partes de nossos corpos só nos são acessíveis diante do espelho. Mas o que ele mostra é a mesma coisa que os outros estão vendo. Então, como essa mulher, ao se deparar diante de um espelho, não enxergava a mesma beleza que eu via e que me parecia tão evidente?

Do ponto de vista masculino isso é uma incógnita. Quando um homem se olha no espelho é algo muito objetivo. De cara reconhece se está bem ou não e bola pra frente! Simples assim. E a visão que tenho de mim não muda de acordo com o dia do mês, não muda porque fui mais ou menos assediado, porque terminei um relacionamento. Só vou me ver diferente, se realmente algo tiver mudado. Então, por que com as mulheres não pode ser do mesmo jeito?

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Foi quando comecei a tentar entender as coisas pela ótica feminina e, então, percebi que o ver e o sentir nem sempre caminham juntos para as mulheres. Por mais que o espelho mostre uma mulher linda, é preciso que ela se sinta assim para que aquilo se torne uma verdade (para ela). E quando isso não acontece, ela acaba evitando ver sua imagem refletida. O espelho torna-se assim, um objeto com uma finalidade prática: fazer a higiene bucal, pentear os cabelos, ver se a maquiagem está adequada, conferir algo na roupa… E era exatamente isso que estava acontecendo com a mulher que havia me procurado para o ensaio.

O desafio, portanto, foi forçá-la se ver no espelho. Claro que, no início, os minutos gastos eram bem poucos e havia uma resistência, uma dificuldade de encarar-se. Mas, aos poucos, ela foi se familiarizando com aquela experiência e foi se permitindo curtir aqueles momentos. E foi quando ela desviou o foco do que não gostava e começou a perceber uma beleza imensa naquela mulher.

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A partir daí o ensaio fotográfico ganhou uma outra dimensão. Se não tivéssemos feito esse percurso e saído para fotografar, não tenho dúvidas de que teria fotos lindas ao final. Mas a experiência dessa mulher seria outra: ou ela não se reconheceria nas fotos ou se acharia ridícula. Por outro lado, à medida em que ela se percebe e se sente bonita e dona de uma sensualidade única, o processo se torna mais prazeroso, mais verdadeiro. A qualidade das fotos muda e há uma identificação seguida de um respeito de si e um admirar-se que falta gritar de tão intenso.